Passou e não vi, mas ainda tá em tempo

•dezembro 16, 2009 • Deixe um comentário

 por Fernando Gil

It's Complicated, com Meryl Streep

Ontem foi a divulgação dos indicados ao Globo de Ouro, mas só descobri isso hoje. Então, para quem também não viu, aqui está a lista dos indicados para 2010. E só para fazer alguns comentários prévios lá estão os que já são por mérito meus preferidos e os que podem vir a ser! Expectativas para It’s Complicated e também pela dupla indicação de Meryl… por qual dos dois ela leva? Também tem Avatar, de James Cameron, Invictus do Clint, o musical Nine com a Penélope Cruz, Marion Cotillard e Daniel Day-Lewis (isso só pra início de conversa, porque esse elenco ainda segue), Tarantino e seus Bastardos Inglórios, Julie & Julia, Up e assim vai… Infelizmente a maioria dos filmes da lista sequer chegou no Brasil, mas digamos que de expectativas tenhamos algumas…

Melhor Filme Drama

- “Avatar”
- “Guerra ao Terror”
-“Bastardos Inglórios”
- “Precious”
- “Amor Sem Escalas”

Melhor Filme – Comédia ou Musical

- “(500) Dias Com Ela”
- “Se Beber, Não Case”
- “It’s Complicated”
- “Julie & Julia”
- “Nine”

Melhor Atriz – Drama

- Emily Blunt, “The Young Victoria”
- Sandra Bullock, “The Blind Side”
- Helen Mirren, “The Last Station”
- Carey Mulligan, “Educação”
- Gabire Sadibe, “Precious”

Melhor Ator – Drama

- Jeff Bridges, “Crazy Heart”
- George Clooney, “Amor Sem Escalas”
- Colin Firth, “A Single Man”
- Morgan Freeman, “Invictus”
- Tobey Maguire, “Brothers”

Melhor Atriz – Comédia ou Musical

- Sandra Bullock,“A Proposta”
- Marion Cotillard, “Nine”
- Meryl Streep, “It’s Complicated”
- Meryl Streep, “Julie & Julia”

- Julia Roberts, “Duplicidade”

Melhor Ator – Comédia ou Musical

- Matt Damon, “O Desinformante”
- Daniel Day Lewis, “Nine”

- Robert Downey Jr., “Sherlock Holmes”
- Joseph Gordon Levitt, “(500) Dias Com Ela”
- Michael Stuhlbarg, “A Serious Man”

Melhor Ator Coadjuvante

- Matt Damon, “Invictus”
- Stanley Tucci, “Um Olhar do Paraíso”
- Christopher Plummer, “The Last Station”
- Christopher Waltz, “Bastardos Inglórios”
- Woody Harrelson, “The Messenger”

Melhor Atriz Coadjuvante

- Mo-Nique, “Precious”
- Julianne Moore, “A Single Man”
- Anna Kendrick, “Amor Sem Escalas”
- Vera Farmiga, “Amor Sem Escalas”
- Penelope Cruz, “Nine”

Melhor Diretor

- Kathryn Bigelow, “Guerra ao Terror”
- James Cameron, “Avatar”
- Clint Eastwood, “Invictus”
- Jason Reitman, “Amor Sem Escalas”
- Quentin Tarantino, “Bastardos Inglórios”

Melhor Roteiro

- “Amor Sem Escalas”
- “It’s Complicated”
- “Distrito 9″
- “Guerra ao Terror”
- “Bastardos Inglórios”

Melhor Filme em Língua Estrangeira

- “Baaria”
- “Abraços Partidos”
- “A Prophet”
- “The White Ribbon”
- “The Maid”

Melhor Filme de Animação
- “Coraline”
- “O Fantástico Sr. Raposo”
- “Está Chovendo Hambúrguer”
- “A Princesa e o Sapo”
- “Up – Altas Aventuras”

Melhor Canção

- “I Will See You”, “Avatar”
- “The Weary Kind”, “The Crazy Heart”
- “Winter”, “Brothers”
- “Cinema Italiano”, “Nine”
- “I Want to Come Home”, “Everybody’s Fine”

Melhor Trilha Sonora Original

- Michael Giacchino, “Up – Altas Aventuras”
- Marvin Hamlisch, “O Desinformante”
- James Horner, “Avatar”
- Abel Krozeniowski, “A Single Man”
- Karen O. and Carter Burwell, “Onde Vivem os Monstros” 

Continuando as grandes expectativas…

•dezembro 16, 2009 • Deixe um comentário

por Fernando Gil Paiva

Como comecei a falar sobre isso ontem, vou tentar manter uma certa disciplina, pelos menos nesses dias que estou mais tranquilo… Bom, agora vou falar de filmes. Há quase dois anos atrás dois filmes me marcaram fortemente, esses filmes que eu posso: 1- sair da sala de cinema todo arrepiado e boquiaberto ou; 2- chegar a chorar (sim, raramente choro em filmes, mas acontece). E isso aconteceu quase de modo sucessivo, primeiro com Piaf – Um Hino ao Amor (no caso, esse ficou com o número 2 mesmo) e Desejo e Reparação (1).

Então esses dois filmes ficaram como minhas referências mais rápidas caso eu tivesse que pensar em um filme marcante a curta e longa data. No domingo, finalmente, me chegou um filme que eu já tinha comprado há mais de um ano, que já tinha adiado várias vezes para ver seus 176 minutos (que não devem servir para desencorajar!). Então, O FRANCO-ATIRADO é uma obra prima de Michael Cimino, tem as atuações de Robert De Niro, Christopher Walken, John Savage e Meryl Streep.

Ok, muitos foram os filmes que situaram seus personagens na Guerra do Vietnã… vale lembrar Apocalypse Now, do Copolla, e Platton, do Oliver Stone, que os fizeram muito bem. Entretanto, de uma forma ou de outra O Franco Atirador feito por De Niro é de tal forma alucinante. É tenso! Eu mesmo tinha intenção de ter parado pra dormir aos trinta minutos quando adentrei a madrugada dentro desse mergulho real e vívido de seus personagens.

Ao colocar uma arma apontada sobre suas próprias têmporas, lembre-se, que talvez seja um jogos de apostas, mas que acima é a sua vida, uma história e uma identidade. Então, se você tiver a oportunidade de assistir O FRANCO-ATIRADOR não hesite. Vale cada segundo!

High hopes de férias

•dezembro 15, 2009 • Deixe um comentário

por Fernando Gil

Ainda aprendendo e me adaptando ao sistema “wordpress“, tardei um pouco, mas já estou de volta para comentar algumas coisas com que tenho me surpreendido ultimamente. A primeira delas é o canal da TV Cultura que, a meu ver, o que era bom, tem ficado melhor, nesses últimos dias matei as saudades vendo episódios clássicos de Doug Funny e os amores por Paty Maionese , alguns documentários da Discovery como o Megaconstruções (ótimo, também) e um programa bem especial: “Tudo o que é sólido pode derreter“. Já tive oportunidade de ver dois episódios. O de hoje foi “Macário” que na verdade vem da peça teatral de Álvares de Azevedo. E os episódios são sempre baseados e/ou tirado e/ou adaptados de alguma coisa da literatura como um outro episódio que foi Macunaíma. O legal de tudo é a originalidade e espontaneidade do elenco jovem. O clássico inserido num contexto atual e pincelado bem sutilmente a vida destes personagens fixos do programa, como um seriado mesmo… No próprio site da TV Cultura, link acima, você pode encontrar tudo sobre a produção desse programa que é derivado de um curta-metragem. Então decidi que vou chamar essas minhas especulações de férias de High Hopes – ou altas esperanças, altas expectativas… que estão apenas no início.

Um filho quente de Capote

•novembro 28, 2009 • 1 Comentário

por Fernando Gil Paiva Martins

Não é comum olhar para a capa de um livro e ver escrito nela, além do título e de seu autor, o desfecho resumido em uma frase. Muito porque esse não se trata de um livro comum. E tudo começou quando Truman Capote, escritor já conhecido nos Estados Unidos por Bonequinho de Luxo, deparou-se com a notícia que repercutiria em um dos melhores livros reportagem da história. A morte de quatro membros de uma mesma família de um modo tão curioso e brutal que merecia ser investigado a fundo.

Com o foco estabelecido para seu novo livro, Capote comunicou seus editores e partiu para onde tudo havia acontecido – Holcomb, no estado do Kansas, Estados Unidos. A partir de então, um mergulho de mais de um ano de conversas, entrevistas, pesquisas e envolvimentos dariam origem a um novo tipo de literatura, o “romance sem ficção”, assim definido pelo próprio autor.

E as palavras “sem ficção” fazem da já mencionada descrição inicial da capa do livro algo mais aterrador. “A história dos quatro membros da família Clutter, brutalmente assassinados, e dos dois criminosos executados, cinco anos depois” só coloca seu público na posição de saber que algo muito marcante aconteceu e cuja repercussão era razão suficiente para ter dado a origem a uma obra escrita por Truman Capote.

Herb (o pai); Bonnie (a mãe); Nancy (a filha); e Kenyon Clutter (o filho) transformaram-se, então, em personagens principais de sua própria tragédia. Nas mãos de Capote, de uma forma um tanto desconfortante, tem-se a sensação clara da proximidade de cada um deles. Ele tinha o dom de trazer a vida aqueles que já tinham partido e tinha o dom de, com suas palavras, deixar o incômodo dessa realidade que por vezes, como leitor, pode-se vir a esquecer.

 “Naquela noite, depois de secar e escovar os cabelos, prendendo-os com um lenço vaporoso, deixou separadas as roupas que pretendia usar na manhã seguinte para ir à igreja; meias de náilon, sapatos pretos sem salto, um vestido vermelho de veludo – o mais bonito que tinha, que ela mesmo fizera. Seria o vestido com que a enterrariam”. (CAPOTE, página 86)

E nesses golpes, certeiros, volta-se à realidade e lembra-se de uma imagem que ainda está por se formar – a da família morta em sua própria cada. “A Sangue Frio” é repleto de personagens e fontes, desde os vizinhos, a família Ashida, o policial Dewey, a melhor amiga, o futuro namorado primeiro suspeito, entre outros. Como numa reportagem, Capote teve que conversar e convencer muita gente a lhe contar as coisas que ele precisava saber e isso inclui, especialmente, as longas conversas que teve com os dois responsáveis por tudo.

Tão logo se começa a ter o esboço dos moradores de Holcomb, logo também são apresentados os outros atores principais da obra: Perry Smith e Richard Hickock (o Dick). E durante a narrativa rica em detalhes, pouco importa quem é quem, pois parece que todos estão próximos o suficiente para que se seja íntimo de cada um, o que permite a entrega do leitor ao livro, à história.

Pensando tecnicamente na narrativa que Capote construiu, pode-se pensar que se fosse uma casa, ele construiu lentamente cada lado oposto dela, colocando tijolos aparentemente aleatórios, mas que logo se perceberia que cada coisa fora pensada e que o lugar fora acertado na escolha. Essa é a nítida sensação que se pode ter ao ler a obra “A Sangue Frio” de Capote. E não apenas ficar deslumbrado por técnica, mas pela habilidade incrível que ele possui em fazer você – leitor – querer realmente saber como aconteceu mesmo que já saiba o fim de todos os envolvidos na noite de 50 anos atrás – dia 15 de novembro de 1959.

Se é possível se entregar de amores à Nancy, que sempre ajudava a todos em sua cidade, fosse para fazer um bolo, ou ajudar nos estudos, ou costuras, a capacidade em se gerar ódio e indignação com relação a Dick era com a mesma facilidade. E não era preciso lembrar quem ele tinha matado, mas apenas dividir seus pensamentos e sua conduta durante dias comuns, como o dia perfeito para se matar um cão.

“O carro estava em movimento. Trinta metros adiante, um cachorro trotava ao longo da estrada. Dick desviou o carro em sua direção. Era um vira-lata meio morto, esquálido e sarnento, e o impacto, quando o carro atingiu o animal, foi apenas um pouco maior do que teria sido produzido por um passarinho. Mas Dick ficou satisfeito. “Rapaz!”, disse ele – e era invariavelmente o que dizia depois de atropelar um cachorro, o que fazia sempre que tinha a oportunidade. “Rapaz! Esse a gente esmagou mesmo!” (CAPOTE, página 150).

Capote conduziu amores e ódios e, muito conforme seus relacionamentos, também tentou fazer com que seu público não odiasse tanto Perry, já que este teve muito mais disposição e afeição para conversar com o escritor em trabalho de pesquisa. Amores e desamores à parte, a culpa não lhe fora tirada.

Quem lê “A Sangue Frio” muito provavelmente terá as sensações muito semelhantes a quem leu décadas atrás quando lançado. O fervor e a aclamação da obra é um registro perene de seu talento para lidar com vidas – e palavras. Os Clutter poderiam ter ficado apenas nas notas de jornal, se Truman Capote nunca os tivesse folheado. Poderia ter passado para o estado do Kansas como mais apenas uma chacina. Poderia hoje ter ficado enterrada ao lado do vestido de Nancy e de todos os outros.

O que se tem nas 432 páginas desse romance sem ficção é a realidade crua, daqueles que tiveram que, com muito sangue frio, lidar com tragédias pouco eventuais. Capote já era uma grande distinção dentre outros escritores e “A Sangue Frio” lhe trouxe o eterno. O que aconteceu exatamente até a morte é razão suficiente para que qualquer leitor queria conhecer a mente de um escritor ímpar. Truman Capote, nasceu em 1924 e faleceu em 1984, por motivo de uso de drogas. Ele nunca mais fora o mesmo depois de Holcomb, depois dos Clutter e depois de Perry Smith (em especial).

 

Hoje, “A Sangue Frio” é distribuído pela Companhia das Letras e custa R$54,00.

Coleções & Obsessões

•novembro 27, 2009 • 3 Comentários

Não é um livro de Jane Austen, mas dá uma grande história de amor

 por Fernando Gil Paiva

Quem pode dizer que nunca na vida colecionou alguma coisa ou teve apreço por um determinado tipo de objeto? Tem gente que gosta de colecionar latinhas de cervejas de várias partes do mundo, outros coletam selos e moedas antigas, outros carrinhos, gibis, revistas e assim por diante. A relação é forte e para os que colecionam cada objeto tem seu valor e estima.

Os verdadeiros colecionadores amam aquilo que tem verdadeiramente, criam relações de afeto, sentem ciúmes, e dedicam tempo de suas vidas a tal prática. A psicanalista Adriana Rangel explica que o ser humano tem essa prática de atribuir valores e isso é algo cultural e inerente ao homem. “Séculos atrás, colecionava-se troféus, armas, medalhas e atribuía-se a isso um grande valor simbólico. Cada cultura, junto com seus traços hierárquicos e subjetivos tinha apreço e afeição por determinado tipo de objeto e coleções poderiam existir tanto para comunidades ou individualmente”, diz. 

O passar do tempo e o evoluir gradativo das relações humanas, também fez evoluir objetos colecionáveis e hoje as pessoas detém um número incontável e inimaginável de artefatos cheios de história e importância para cada um de seus donos.

Cinemas & Romances

Quando Rafaela Gomes tinha doze anos o que não faltava era tempo para ler e ouvir seus CDs. Desde muito pequena, dois traços marcantes denunciavam-na como uma precoce colecionadora. O tempo foi passando e hoje, com 20 anos, a estudante do terceiro semestre de Jornalismo na UFMT, divide sua atenção entre DVDs, livros e CDs. Para Rafaela, suas coleções representam mais que um simples hobby. “Acho que a coleção deve estar relacionada ao que desperta ou despertou sonhos em você, como os livros na minha vontade de escrever, os DVDs na paixão por direção e os CDs no amor pela música em si”, conta.

Ainda no início de suas vontades por comprar CDs, principalmente, Rafaela afirma que era muito difícil e frustrante sair de uma loja de música sem levar nada. Mas aos poucos foi administrando impulsos por livros e músicas, o que ainda não se firmou para sua nova gana por DVDs, que já está perto de 70. Cada objeto, parte da coleção de Rafaela, tem hoje o seu valor e mesmo depois de tempos sem ouvir determinado tipo de música ou ler tal literatura, o que ficou foi uma marca de seu amadurecimento e ela vê isso muito positivamente. “Colecionar faz bem. Eu acho que é quase uma terapia. Um descanso. Não sei se para muitos funciona assim, mas para mim é desse jeito”, conclui.

 Bazares & Trocarias

 Segundo o escritor Manuel de Barros, o ser humano constitui para com seus objetos o que se pode chamar de “achadouros”. Tudo o que você reúne torna-se um desses. Um achadouro da infância, por exemplo, pode ser aquela caixa antiga que você guardou coisas e nem mesmo se lembrava. Coisas que tinham algum valor, depois se perderam e que quando encontradas, serviram de objeto de visitação ao passado.

Muitos achadouros acabam sendo redescobertos em Bazares e Trocarias do acaso. Raquel Lima, 20 anos, estudante de Rádio e TV, contribui também como colecionadora para a formação de achadouros que se formam por pessoas muito distantes umas das outras. Sempre gostou de comprar roupas, sapatos e bolsas e quando descobriu que havia muita gente que vendia esses artefatos por Internet passou a dar preferência para essas vendedoras. 

 “Confesso que meu consumismo foi aumentando com o tempo”, conta Raquel. Entretanto, comprar por meios virtuais passou a ser um meio mais interessante e econômico para ela, pois é possível achar objetos a preços mais acessíveis em grandes centros, como Rio de Janeiro. Então, diante dessa nova possibilidade, Raquel se juntou a uma amiga e criaram um bazar virtual onde pessoas de todo o Brasil podem vender ou comprar objetos que fazem parte de seus “achadouros particulares”.

Ao mesmo tempo em que busca objetos que tanto quer, outras pessoas reconhecem parte de suas coleções nas coisas que Raquel tem. “Se eu enjoei de alguma peça, se ela não cabe mais ou simplesmente não condiz com o tipo de roupa que uso atualmente, eu vendo. Ou se estou precisando de um dinheirinho extra”. Coleções e compulsões à parte, alguns dos novos colecionadores tendem a se moldar mais flexíveis e menos ciumentos.

Já as Trocarias ficam por conta da também estudante de Comunicação Social Talyta Singer, 23. As Trocarias são grandes reuniões de objetos que as pessoas, geralmente um grupo de alunos, resolveram se desfazer. Tudo fica disposto em uma mesa e o método de troca é basicamente guiado pela pergunta: “Quanto o que eu tenho tem valor para você?”. Então, em troca, dá-se um objeto de valor cultural e subjetivo semelhante.

Talyta conta que em uma das Trocarias feitas em Cuiabá, não necessariamente dentro da UFMT, uma menina se encantou um com jogo de pequenas xícaras de plástico que não tinham valor aparente nenhum. “Mas para a menina sim, e logo que soube do sistema de troca, trouxe um pato feito de origamis que era muito mais elaborado e “caro” do que o brinquedo de R$1,99”, comenta Talyta. Então, a função dos achadouros faz mais sentido, pois tudo é baseado em valores subjetivos e suas atribuições na vida de cada ser humano. “O apego que dá valor e lugar para as coisas no mundo”, completa a psicanalista Adriana Rangel.     

 Sapatos & Memórias

 “Não vejo o ato de colecionar, no meu caso, sapatos, como uma obsessão. O objetivo é mesmo ter a peça e o sentimento que ela desperta é de admiração, admiro os criadores daqueles sapatos como pessoas que exercem uma habilidade específica com um produto final. É como compartilhar uma criação”, conta Laís Costa, 20, colecionadora de sapatos que já chegou a ter mais de 50 pares, antes de se desfazer de alguns. “Agora eu prefiro ter peças que desejo e sei que vou usá-las”, conclui. 

O próprio ato da admiração do objeto pode ser aplicado a tudo: ao diretor do filme, ao designer da bolsa, ao criador do selo, ao detentor de uma coleção de obras expostas em um museu. Grandes colecionadores também sublimam seus amores e obsessões com o público que freqüenta exposições e museus e se rende aos mesmos desejos. “Esses colecionadores ocupam um lugar público no mundo”, diz Adriana Rangel, no que compete ao sentimento de admiração que tem Laís com seus sapatos.

 Kristielle Regina, 22, estudante na UFMT de Psicologia, acredita que objetos que ela colecionou, especialmente na infância, como é o caso dos “Achadouros de Infância” de Manuel de Barros, ajudaram a formar a sua personalidade. “Muitos influenciaram até em algumas das minhas escolhas e na formação de planos para meu futuro, assim como o meu gosto por um tipo de música, por também gostar de desenhar e, principalmente, por gostar de escrever”. Em seu achadouro, que pode ser real ou apenas lembrança, Kristielle diz ter reencontrado, pedras que colecionava, historinhas, o menino Jesus de gesso, a bússola que brincava imaginando estar perdida, a coleção de moedas, a trilha sonora dos Cavaleiros do Zodíaco e outras coisas mais.

O fato é que não importa ao que cada ser humano é ligado, o que importa é que cada objeto faz de cada pessoa um ser cheio de culturas diferentes, traços e peculiaridades. Coleções e obsessões por temas, pessoas e coisas rondam e contam grandes histórias de hobbies e amor.  Cinemas e romances, bazares e trocarias, sapatos e memórias exemplificam o que a maioria das pessoas cultua em seus altares, que podem ser, na medida do normal ao bizarro, fontes de orgulho ou preconceito, razão e sensibilidade. Tudo depende dos olhos de quem vê. 

Migrado!

•novembro 27, 2009 • Deixe um comentário

Agora é definitivo… eu acho. Depois de incentivos e alguma cobranças resolvi trazer de vez o meu blog pra cá… Para começar então de vez coloco um trecho do livro Memórias Invetadas de Manuel de Barros que foi parte da pesquisa que eu realizei para escrever minha última reportagem, sobre Coleções e Obessões, que logo estará aqui.

“Acho que o quintal onde a gente brincou é maior do que a cidade. A gente só descobre isso depois de grande. A gente descobre que o tamanho das coisas há que ser medido pela intimidade que temos com as coisas. Há de ser como acontece com o amor. Assim, as pedrinhas do nosso quintal são sempre maiores do que as outras pedras do mundo. Justo pelo motivo da intimidade. Mas o que eu queria dizer sobre o nosso quintal é outra coisa. Aquilo que a negra Pombada, remanescente de escravos do Recife, nos contava. Pombada contava aos meninos de Corumbá sobre achadouros. Que eram buracos que os holandeses, na fuga apressada do Brasil, faziam nos seus quintais para esconder suas moedas de ouro, dentro de grandes baús de couro. Os baús ficavam cheios de moedas dentro daqueles buracos. Mas eu estava a pensar em achadouros de infâncias. Se a gente cavar um buraco ao pé da goiabeira do quintal, lá estará um guri ensaiando subir na goiabeira. Se a gente cavar um buraco ao pé do galinheiro, lá estará um guri tentando agarrar no rabo de uma lagartixa. Sou hoje um caçador de achadouros da infância. Vou meio dementado e enxada às costas cavar no meu quintal vestígios dos meninos que fomos”.

The Gaga Monster Continuation

•novembro 11, 2009 • 1 Comentário

Após ter lançado em 2008 o álbum “The Fame”, Lady Gaga traz novamente sua fama em um álbum duplo que será lançado no fim deste ano. “The Fame Monster” trá em seu primeiro CD os já conhecidos sucessos como “Poker Face”, “Boys Boys Boys”, “Brown Eyes”, “Paparazzi” entre outras; e no segundo CD, as inéditas… E abaixo o prévia mosntruosa do sucesso de Gaga.

Veja o clipe de Bad Romance:

E ouça:

Dance In The Dark

Vídeo: SIGNS

•novembro 2, 2009 • 1 Comentário

Às vezes você tem que esperar o sinal
os Sinais… num ato de conversação, não é o som.
comunicar
mesmo que para isso
o completamente dito dos sinais
esteja apenas na simplicidade

prover a palavra, pela escrita ou pela fala
comunicar
mesmo que para isso
o completamente não dito dos sinais
esteja apenas…

… na simplicidade

O retorno de Saramago…

•outubro 26, 2009 • 1 Comentário


…em mais um romance clássico sobre a redenção de Caim

“Quando o senhor, também conhecido como deus, se apercebeu de que adão e eva, perfeitos em tudo o que apresentavam à vista, não lhes saía uma palavra da boca nem emitiam ao menos um som primários que fosse, teve de ficar irritado consigo mesmo, uma vez que não havia mais ninguém no jardim do éden a quem pudesse responsabilizar pela gravíssima falta, quando os outros animais, produtos todos eles, tal como os dois humanos, do faça-se divino, uns por meio de mugidos e rugidos, outros por roncos, chilreios, assobios e cacarejos, desfrutavam já de voz própria. Num acesso de ira, surpreendente em quem tudo poderia ter solucionado como outro rápido fiat, correu para o casal e, um após o outro, sem contemplações, sem meias-medidas, enfiou-lhes a língua pela garganta abaixo”.

que Tarantino!

•outubro 25, 2009 • 1 Comentário

Talento natural

Ver um Tarantino no cinema
é maximizar as ações que um filme que já tem por caractarística a ação
é perceber na música e na audácia da direção
o talento natural de alguém que sabe exatamente a medida das palavras -
cinema de excelência.

Ainda dá tempo!
Não percam essa grande obra do cinema!

Bastardos Inglórios – veja o trailer!

 
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